sexta-feira, 1 de maio de 2009

Da morte e do sofrimento



Eis umas ideias que me vieram à cabeça a partir da leitura de um artigo publicado por um amigo meu num jornal local.
Há uns tempos que ando a pensar na minha forma de encarar a morte e o sofrimento - porque falo frequentemente sobre isso com uma amiga querida que já tem 90 anos - e a concluir que ainda não soube o que fazer deles.
Ao ler o artigo desse amigo, dei com uma passagem que me impressionou muito, em que ele diz que ninguém se preocupa com o sofrimento dos humanos. E é verdade! Tal como ninguém se preocupa com o sofrimento dos outros seres vivos - a começar por nós, os humanos!!!
E essa passagem fez-me chegar a duas ideias que fazem sentido para mim.
Primeiro - que o sofrimento e a morte fazem parte da vida (tal como a minha amiga idosa sempre me disse, mas eu nunca compreendi!). Não são coisas agradáveis, mas vêm no "pacote da vida". Devemos enfrentá-los e, paralelamente, aproveitar as coisas boas que a vida nos traz. Também é uma coisa que eu ando a aprender a fazer. Mas nunca é tarde para aprender - felizmente!
Segundo - que, se todos nos esforçarmos um pouco, o sofrimento torna-se mais fácil de enfrentar. Eu sou uma pessoa activa e uma coisa que me desarma é ver que alguém tem um problema e eu não posso fazer nada para o resolver. Mas há tempos lembrei-me de que até uma palavra, um gesto, um olhar de interesse podem fazer a diferença entre sentir-se sozinho perante a desdita... ou ver que está ali alguém ao nosso lado. Faz muita diferença. Por isso, não podemos perder uma ocasião de ajudar, nem desperdiçar as ajudas que outros nos queiram dar.

2 comentários:

evm disse...

Olá Cristina,

É exactamente assim que eu penso.
A ideia de que estamos sós no universo, isto é, de que, de facto, não existem saias para puxar ou polegares para chuchar (no fundo, o que a ideia de um Deus pessoal acaba por ser), ao contrário de ser deprimente como muitos consideram, permite-nos valorizar ainda mais sentimentos como a solidariedade, a compaixão e o amor àqueles que nos são queridos.
EM

csa disse...

É verdade!
Por isso é que eu acho que aquilo a que nós chamamos deus é apenas tudo o que há de bom no ser humano. E que nós não usamos tanto quanto devíamos.
Esses sentimentos de que falas fazem com que não nos sintamos sozinhos, porque nos ajudam a criar pontes com os que nos são queridos e até com aqueles que não conhecemos.
Isso faz-me lembrar do dia em que a catequista me ensinou que não se devia chorar pelos animais, quando eles morriam, porque eles não tinham alma. Eu tinha 6 anos e fiquei muito chocada, porque gostava muito de animais. Perguntei à minha mãe e ela disse que não era pecado amar os animais. :)
Eu tive animais que tinham um amor incondicional por mim. E faziam com que eu não me sentisse sozinha... mesmo quando me parecia que todo o mundo estava contra mim.
Não sei se eles têm alma ou não (nem isso me interessa para nada). Mas têm sentimentos!!! :)